China promove general responsável por combate à corrupção militar ao Politburo
O Partido Comunista Chinês (PCC) promoveu o general Zhang Shengmin, figura central da campanha anticorrupção nas Forças Armadas, ao Politburo, numa decisão anunciada após um plenário marcado por purgas na liderança política e militar.
A promoção, divulgada na quinta-feira, no encerramento da quinta sessão plenária do XX Comité Central, devolve um representante militar ao principal órgão de decisão política do PCC, que estava sem membros das Forças Armadas desde janeiro.
Zhang, promovido em 2025 a vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), dirigiu o organismo de combate à corrupção militar entre 2018 e julho deste ano.
A campanha anticorrupção reduziu a CMC, originalmente composta por sete membros, a apenas dois: o Presidente chinês, Xi Jinping, e Zhang Shengmin.
A promoção ao Politburo é invulgar fora dos congressos quinquenais do partido. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, a última nomeação deste tipo ocorreu em 1994.
Desde 1997, o Politburo tem contado habitualmente com dois representantes militares, mas permanece por esclarecer se Pequim pretende nomear outro general no próximo congresso do PCC.
O comunicado oficial do plenário confirmou também, pela primeira vez, a existência de uma investigação ao antigo chefe do Departamento Internacional do partido, Liu Jianchao, e anunciou a sua destituição do Comité Central.
Liu, antigo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e embaixador nas Filipinas e na Indonésia, não é visto em público desde agosto de 2025.
O plenário aprovou ainda uma resolução sobre a governação e a disciplina internas do partido, reafirmando a necessidade de reforçar a supervisão dos dirigentes e prosseguir o combate à corrupção.
O comunicado defendeu uma fiscalização rigorosa da formação, seleção, nomeação e gestão dos quadros, visando construir uma liderança politicamente leal, competente e disciplinada.
A reunião ratificou sanções disciplinares contra 34 altos dirigentes, incluindo 18 responsáveis civis e 16 militares, todos membros efetivos ou suplentes do Comité Central, um número recorde nos plenários recentes.
A dimensão das purgas refletiu-se também na participação: apenas 162 dos 205 membros efetivos do Comité Central estiveram presentes, o equivalente a 79%, a taxa mais baixa em décadas.
O partido anunciou igualmente que o XXI Congresso Nacional do PCC vai ter lugar em Pequim, no segundo semestre de 2027, quando se espera uma ampla renovação da liderança política e militar chinesa.
O encontro vai ser realizado numa "fase crítica" do percurso da China rumo ao segundo objetivo centenário, segundo o comunicado oficial.
O plenário aprovou ainda a promoção de dez membros suplentes a efetivos do Comité Central, para preencher vagas deixadas pelas expulsões.
Entre os promovidos encontram-se os governadores das províncias de Shanxi e Zhejiang, Lu Dongliang e Liu Jie, respetivamente, considerados figuras em ascensão na hierarquia política chinesa.